Petrobras e Unigel estão envolvidos em uma complexa disputa por meio de arbitragem relacionada ao arrendamento de fábricas de fertilizantes nitrogenados localizadas na Bahia e em Sergipe. Essa situação é reflexo do atual cenário do setor, que enfrenta desafios significativos, como os altos preços do gás natural.
Recentemente, o conselho da Petrobras aprovou a abertura de uma concorrência para escolher uma empresa que reative as operações dessas fábricas no Nordeste. No entanto, esse movimento ainda está condicionado à resolução das disputas com a Unigel, que é a atual arrendatária das plantas. Desde 2023, as fábricas estão paralisadas, uma decisão tomada pela Unigel devido à inviabilidade econômica imposta pelos preços elevados do gás.
Contexto da Situação
Em 2019, a Petrobras arrendou as fábricas para a Unigel por um período de 10 anos, mas as operações começaram a enfrentar problemas no início de 2023. A Unigel argumenta que a continuidade dos negócios se tornou insustentável devido ao custo do gás natural. Esse fator é crucial, pois o Brasil tem uma dependência significativa desse insumo, que representa um dos principais custos na produção de fertilizantes.
A disputa atual entre as duas empresas envolve questões contenciosas sobre a paralisação das operações, os investimentos realizados pela Unigel e as cláusulas do contrato de fornecimento de gás. Para que a concorrência para a reabertura das fábricas seja finalmente realizada, é imprescindível que um acordo seja alcançado entre Petrobras e Unigel.
Fontes próximas à situação reiteraram que, enquanto as pendências judiciais não forem resolvidas, a concorrência não pode avançar. “Aprovamos a realização da concorrência, mas a arbitragem deve ser solucionada para dar seguimento”, afirmou uma das fontes, que pediu para permanecer anônima.
Possibilidade de Retomada da Licitação
Embora a situação esteja tensa, uma segunda fonte revelou que, caso as disputas sejam resolvidas, a Unigel poderá até participar da licitação destinada à reabertura das fábricas. Isso indica que um acordo poderia levar a uma normalização das relações comerciais entre as duas partes. “Para que a concorrência aconteça, é necessário um entendimento com a Unigel, que atualmente arrenda as plantas”, a fonte destacou.
Vale mencionar que a Unigel ainda não se manifestou sobre as decisões do conselho da Petrobras e não há retorno por parte da empresa a pedidos de comentários. A Petrobras, por sua vez, optou por não comentar publicamente essa questão delicada.
Desafios do Setor de Fertilizantes
Os investimentos da Petrobras na produção de fertilizantes nitrogenados são um assunto controverso. A empresa enfrenta um dilema, já que o produto importado chega ao Brasil em condições competitivas. Entretanto, com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, existe uma vontade clara de que a Petrobras retome seus investimentos no setor, especialmente considerando a importância do Brasil como uma potência agrícola.
Uma terceira fonte mencionou que “faz sentido que o Brasil, com a maior produção agrícola do mundo e em um momento de aumento da produção de gás, busque aumentar também a produção local de fertilizantes”. Essa visão reflete uma necessidade nacional e uma estratégia para reduzir a dependência de importações.
Aspectos Legais e Acordos Anteriores
Em dezembro de 2023, a Petrobras e a Unigel assinaram um contrato de “Tolling”, onde a Petrobras forneceria gás natural em troca da produção de fertilizantes. Esse acordo visava facilitar a retomada das operações, mas foi encerrado em junho de 2024, após o Tribunal de Contas da União (TCU) alertar sobre possíveis perdas financeiras significativas para a Petrobras, estimadas em R$ 487 milhões.
Com tudo isso, a situação ainda se apresenta como um grande desafio para ambas as partes. O cenário atual exige uma abordagem cautelosa e estratégica para que se chegue a um consenso que beneficie tanto a Petrobras quanto a Unigel, e, por consequência, o setor agrícola brasileiro.
Aguardando a Resolução das Disputas
A necessidade de uma solução amigável e rápida entre as duas entidades é clara. O setor é crucial para a economia nacional e a reativação das fábricas pode representar um avanço significativo para garantir a soberania e autonomia na produção de fertilizantes. O caminho a seguir dependerá do alinhamento entre os interesses da Petrobras e da Unigel, o que ainda está por vir.
Assim, a atenção do mercado se volta para as próximas movimentações das empresas e o desfecho das arbitragens que definirão o futuro das operações das fábricas de fertilizantes no Brasil.

