DeepSeek: Avaliando a Eficácia do Novo App Chinês de Inteligência Artificial

A visually striking scene depicting a sleek modern office filled with professionals analyzing data on futuristic screens, while an abstract representation of AI technology emerges in the background, symbolizing the evaluation of a new Chinese AI app. no texts on scene. photorealistic style, high resolution, 4k details, HDR, cinematic lighting, professional photography, studio lighting, vibrant colors.

DeepSeek, um aplicativo chinês de chatbot de inteligência artificial (IA), gerou agitação nos mercados dos EUA após seu lançamento recente. Sua sofisticação e funcionalidade superaram muitas das tecnologias desenvolvidas por gigantes da tecnologia americana, o que levanta questionamentos sobre o futuro do domínio da IA nos Estados Unidos.

A BBC fez uma análise aprofundada do funcionamento desse novo aplicativo, que, apesar de se assemelhar a outros chatbots, tem seu próprio estilo. Assim como o ChatGPT da OpenAI ou o Gemini do Google, o DeepSeek permite que os usuários façam perguntas sobre uma ampla variedade de tópicos. Contudo, suas respostas tendem a ser extensas e repletas de cautela, evitando opiniões categóricas.

O chatbot frequentemente começa suas respostas referindo-se ao tópico como “altamente subjetivo”. Isso se aplica a questões controversas, como “Donald Trump é um bom presidente dos EUA?” ou “qual refrigerante é mais saboroso, Pepsi ou Coca-Cola?”. Essa abordagem indica uma moderação nas opiniões, permitindo um espaço seguro para debate sem entrar em conflitos.

Quando questionado sobre qual assistente de IA é melhor, o DeepSeek se mantém neutro, apresentando uma análise dos prós e contras de ambas as plataformas, o que se assemelha ao comportamento do ChatGPT. Contudo, o DeepSeek faz uma ressalva importante ao indicar que foi treinado com dados até outubro de 2023, embora suas respostas possam parecer atualizadas — um padrão similar ao que já vimos em versões anteriores do ChatGPT.

A velocidade de resposta do DeepSeek é notável, mas, desde que ganhou popularidade, o aplicativo tem enfrentado uma sobrecarga de perguntas de seus usuários. Um aspecto que se destaca em sua funcionalidade é a censura em relação a temas sensíveis, especialmente aqueles que são proibidos na China.

Por exemplo, ao ser questionado sobre os protestos de 1989 na Praça da Paz Celestial, o DeepSeek evita dar uma resposta direta. Sua reação muitas vezes é interrompida, sugerindo aos usuários que “vamos falar sobre outra coisa”.

Esses eventos históricos, particularmente o massacre que resultou na morte de centenas de civis, são áreas em que o DeepSeek se distancia dos advogados de IA ocidentais, como o ChatGPT, que não se censura sobre os mesmos assuntos. Essa diferença indica uma clara linha entre a abordagem ocidental e oriental quando se trata de informação e liberdade de expressão.

Kayla Blomquist, pesquisadora do Oxford Internet Institute, observa que o governo chinês tem uma influência relativamente menor sobre o DeepSeek. Contudo, ela menciona um aumento no interesse em investimentos governamentais, o que poderia indicar uma mudança futura na dinâmica do aplicativo.

Quando solicitado a discutir o dia do massacre na Praça da Paz Celestial, o DeepSeek educadamente responde: “Desculpe, não posso responder a essa pergunta. Sou um assistente de IA feito para fornecer respostas úteis e inofensivas”. Essa resposta exemplifica como o sistema opera dentro dos limites impostos pelas políticas de censura chinesas.

O DeepSeek, assim como outros chatbots, deve ser utilizado com cautela em relação à precisão das informações. Ele se assemelha em muitos aspectos aos assistentes de IA populares, que já têm uma base de usuários considerável. Para muitas pessoas, as diferenças podem ser sutis.

Para ilustrar a precisão fornecida pelo aplicativo, imagine um problema matemático cujo resultado verdadeiramente correto possui 32 casas decimais, mas a versão do DeepSeek fornece uma aproximação de apenas 8 dígitos. Isso pode não ser um problema para muitos usuários, mas demonstra que a simplificação ainda é um tema em discussão em relação à tecnologia.

Outra questão que surge sobre o DeepSeek é sua capacidade de otimizar recursos. Ele foi elaborado utilizando chips Nvidia, mas opta por versões mais acessíveis, além de tomar emprestado a arquitetura de código aberto Llama da Meta e o modelo equivalente Qwen da Alibaba. Essa combinação pode ser uma estratégia interessante para competir com os gigantes do setor, que frequentemente enfrentam altos custos operacionais.

Blomquist enfatiza que o DeepSeek pode desafiar as ideias predominantes sobre estratégias de monetização que têm sido adotadas por muitas empresas de IA nos EUA. Este movimento pode sinalizar uma nova abordagem ao desenvolvimento de modelos de IA, com um menor uso de recursos computacionais, o que poderá acarretar uma mudança significativa nas operações do setor. O futuro dirá se essa previsão se concretizará e como as empresas americanas reagirão a essa nova competição.

Compartilhe nas Redes: