O Brasil é reconhecido como o segundo maior exportador global de óleo de soja, desempenhando um papel fundamental no mercado de biocombustíveis, especialmente no biodiesel. A crescente demanda por essa oleaginosa, combinada com a dinâmica do mercado de sebo bovino, está moldando o cenário da produção e exportação de biodiesel no país.
A expectativa é que a participação do óleo de soja nas matérias-primas para biodiesel aumente significativamente. Com a colheita de uma safra recorde e a alta nas exportações de sebo bovino, a disponibilidade desse insumo se torna limitada. De acordo com a Argus, uma empresa especializada em preços e consultoria, os Estados Unidos estão se tornando o principal comprador do sebo bovino brasileiro, um movimento impulsionado pelos incentivos que valorizam insumos mais sustentáveis.
A Dinâmica do Mercado de Óleo de Soja
Recentemente, as exportações de sebo bovino têm impactado as cotações do mercado interno. Historicamente, o sebo é mais acessível que o óleo de soja, mas, surpreendentemente, ele está se valorizando. O gerente de Desenvolvimento de Negócios da Argus, Amance Boutin, destacou essa nova realidade de preços. Atualmente, o óleo de soja é cotado a R$ 6,7 por tonelada em São Paulo, enquanto o sebo atinge R$ 6,950 pela mesma medida.
No cenário internacional, o sebo bovino está valorizado, sendo negociado a 1.080 dólares por tonelada, uma elevação de cerca de 20% em relação a abril de 2024. Em contraste, o óleo de soja é cotado a 1.035 dólares por tonelada, de acordo com informações da Argus. Essas cifras colocam em evidência a crescente importância do sebo bovino em um contexto em que a sustentabilidade se torna uma prioridade.
Até fevereiro, o óleo de soja dominava 75% das matérias-primas do biodiesel, conforme dados da ANP. O sebo bovino representa atualmente uma fatia de 6%, muito embora tenha uma participação maior no passado. Esse deslocamento de proporções evidencia um ajuste nas fontes de produção de biodiesel.
Exportações em Alta
Em um momento em que o mercado interno do Brasil testemunha uma redução na participação do óleo de soja, as exportações de sebo bovino estão crescendo robustamente. Em março, cerca de 45 mil toneladas foram exportadas, um aumento significativo comparado às 16 mil toneladas do ano anterior, com os Estados Unidos absorvendo a maior parte desse volume.
O modelo de créditos dos Estados Unidos para biocombustíveis recompensa produtores que utilizam gordura de origem bovina, devido à menor pegada de carbono associada a esse insumo. Com essa nova configuração, o volume exportado pelo Brasil, que já era o segundo mais alto da história no mês passado, reflete uma tendência promissora. Em 2023, o Brasil exportou 245 mil toneladas de sebo, número que deverá atingir 320 mil toneladas em 2024, reafirmando o crescimento da demanda.
Boutin alertou que, apesar das incertezas políticas nos Estados Unidos em relação a políticas de biocombustíveis, a tendência de aumento nas importações de sebo permanece firme. Muitos produtores, contando com os incentivos anteriores, investiram na produção e utilização de sebo bovino, pressionando por políticas que preservem esse sistema.
A Competitividade do Óleo de Soja
Enquanto isso, o óleo de soja se mostra cada vez mais competitivo. O Brasil deve exportar cerca de 1,4 milhão de toneladas desse produto em 2025, um ligeiro aumento em relação a 2024. Isso coloca o Brasil em uma posição destacada, ao lado da Argentina, com a Índia como um dos seus principais destinos de exportação.
A abundância de soja no Brasil gera uma margem confortável para atender à demanda interna por biodiesel, ao mesmo tempo em que não compromete as exportações. Com a previsão de uma safra recorde, o Brasil terá “muito grande” disponibilidade de soja, favorecendo tanto a produção de biodiesel quanto os embarques internacionais.
O Futuro do Biodiesel no Brasil
As mudanças no mercado de biocombustíveis no Brasil indicam um cenário dinâmico e em constante evolução. A crescente utilização de óleo de soja e sebo bovino na matriz energética brasileira reflete não apenas a demanda interna, mas também as exigências do mercado externo, que busca uma produção mais sustentável.
Esse panorama indica que o Brasil, enquanto segundo maior exportador de óleo de soja, deve continuar a se adaptar às novas demandas e desafios do mercado de biocombustíveis. Ao mesmo tempo, a combinação entre preços, produção e incentivos governamentais deverá delinear o futuro do setor, que promete ser repleto de oportunidades.

