Imagine que, ao acessar a internet, não é mais você quem pesquisa passagens, escolhe hotéis ou escreve e-mails, por exemplo. Em vez disso, uma inteligência artificial faz tudo isso por você — e melhor: toma decisões, contrata outros serviços, realiza pagamentos e até interage com outros agentes digitais. Bem-vindo à Web 4.0.
Segundo Krystian Kolondra, vice-presidente executivo da Opera, essa nova fase da internet representa mais do que um avanço tecnológico. “A Web 4.0 é quando humanos e máquinas passam a coexistir na web”, explica. “Hoje usamos a inteligência artificial como ferramenta, mas, no futuro, ela será uma parceira”, projeta.
Para entender esse momento, é preciso olhar para trás. A Web 1.0 era estática, criada por programadores; a Web 2.0 abriu espaço para que o usuário comum gerasse conteúdo, com redes sociais e plataformas colaborativas; a Web 3.0 trouxe a descentralização, com tecnologias como blockchain. Agora, a Web 4.0 se destaca pela participação ativa da IA — não apenas como assistente, mas como agente.
Kolondra imagina um futuro próximo em que as inteligências artificiais navegam por nós, contratam outras IAs para cumprir tarefas complexas ou até interagem com seres humanos em nosso nome. Um exemplo prático? Planejar uma viagem: “Hoje ainda precisamos procurar voos, hotéis, montar roteiros. Com a Web 4.0, a IA fará tudo isso de forma integrada, poupando-nos tempo e energia”, afirma.
Interfaces para humanos e máquinas
A mudança, no entanto, exige mais do que apenas inteligência artificial sofisticada. Ela demanda uma reconstrução da própria internet. As páginas e sistemas atuais são pensados para humanos — com botões, menus e navegação intuitiva apenas para quem entende o contexto visual. “As máquinas ainda lutam para entender a internet. Será necessário adaptar os sites para que elas também consigam interagir com autonomia e confiabilidade”, alerta.
Outro ponto-chave é a segurança, segundo o especialista. Se a IA será responsável por fazer compras ou contratar serviços em nome do usuário, será necessário repensar os sistemas de pagamento e as leis que regem essas transações. Quem será o responsável por uma compra feita por uma IA? Como garantir que ela não abuse do poder delegado?
Uma obra de arte na galeria Cartwright Hall Art, na cidade de Bradford, no norte da Inglaterra, tornou-se pivô de uma discussão entre especialistas de arte e profissionais da área de tecnologia. Isso porque pesquisadores das universidades de Nottingham e Bradford usaram uma ferramenta de reconhecimento facial. O mecanismo de inteligência artificial indicou que o quadro ‘De Brécy Tondo’ foi produzido pelo artista renascentista Rafael.
Inclusive, ao fazer uma comparação com a Madona Sistina, obra que possui a comprovação da autoria do italiano, o grau de semelhança foi de 97%. No entanto, alguns peritos em arte acreditam que essa possibilidade é pequena. Por sinal, afirmam que esse tipo de tecnologia não possui a capacidade de diferenciar itens de arte verdadeiros e falsificados.
Richard Polsky, diretor de uma empresa especializada na autenticação de artistas americanos do século 20, acha que a inteligência artificial não consegue identificar detalhes como os especialistas fazem quando analisam uma obra de arte. “Se você está profundamente imerso no trabalho de um artista, já leu tudo sobre ele. Não acho que esse tipo de coisa possa ser ensinada”, diz.
Já o professor de computação visual da Universidade de Bradford, Hassan Ugail, declarou que o episódio comprova que os peritos em arte precisam se modernizar com relação aos seus métodos de averiguação. “Foi uma grande curva de aprendizado para entender o mundo da arte e como os especialistas quase não usam evidências científicas. Os pesquisadores usaram ferramentas de dimensões que o olho humano não consegue ver”, ressaltou.
Além disso, os incentivadores da utilização da inteligência artificial argumentam que o recurso ajudará no delicado processo de reconhecimento das obras de arte. “A confiança no julgamento de um único especialista humano pode ser arriscada devido ao potencial de erro, à subjetividade ou aos vieses”, declarou Carina Popovic, executiva da Art Recognition, empresa responsável por autenticação de inteligência artificial.
Ela ainda frisa que o algoritmo possui alta precisão para diferenciar produções falsas e originais. A propósito, Carina relembrou a ocorrência em que o falsificador, Wolfgang Beltracchi, confessou, em 2012, ter criado itens artísticos de 50 autores.
Rafael Sanzio foi um dos gênios do Renascimento, que surgiu na Itália no século 14 e se estendeu até o século 17. Natural da cidade de Urbino, ele era filho do artista plástico e humanista Giovanni Santi. Giovanni apresentou a pintura para Rafael e lhe deu os primeiros ensinamentos.
Aos 19 anos, o artista prodígio finalizou a pintura ‘Retábulo Baroncio’, a pedido da igreja São Nicolau de Tolentino. Seu primeiro grande trabalho foi o ‘Casamento da Virgem’ para a igreja de São Francisco, na Città di Castello, concluída em 1504. O aprendizado com Perugino ficou perceptível na perspectiva e na proporcionalidade entre as figuras.
No mesmo ano, ele se mudou para Florença, onde Leonardo Da Vinci e Michelangelo eram expoentes. Graças ao contato com Leonardo, suas produções se sofisticaram. Rafael, então, incorporou a estética renascentista e criou a Madona do Prado, Madona Esterházy e A Bela Jardineira.
Em 1508, aceitou convite de seu amigo Bramante, arquiteto do Vaticano, para ir a Roma e fazer um trabalho para o papa Júlio II. O papa ficou encantado com os esboços de Rafael e solicitou que o jovem produzisse a decoração de todo o espaço, inclusive ordenou que os afrescos iniciados por outros artistas fossem destruídos.
Rafael ficou por 12 anos em Roma, focado na ornamentação de quatro salas do Vaticano, nomeadas de ‘Stanzas de Rafael’. Seu último trabalho foi ‘Transfiguração’, um pedido feito em 1517 e entregue três anos depois. Ela se destaca pelo desafio, pois apresenta atributos do Barroco.
Rafael morreu em 1520, com 37 anos, depois de uma febre. Ele foi sepultado no Panteão de Roma com honra, sendo o único artista do movimento Renascentista que recebeu glorificação tão impactante. O Panteão representa a antiguidade, além do auge do poder e riqueza do Império Romano.
Obras de Rafael estão expostas nos principais museus do mundo, entre eles, o Louvre em Paris, o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e os Museus do Vaticano.
Mais tempo livre — e novas profissões
Apesar das dúvidas éticas e técnicas, Kolondra é otimista. Para ele, a Web 4.0 tem o potencial de melhorar a qualidade de vida das pessoas, liberando-as de tarefas repetitivas e burocráticas. “Teremos mais tempo para estar com a família, com os amigos, ou cuidar de nós mesmos”, diz.
Além disso, longe de destruir empregos, o executivo acredita que a Web 4.0 trará novas oportunidades. “Como toda revolução tecnológica, alguns postos de trabalho podem desaparecer, mas muitos outros surgirão. Haverá espaço para profissionais que saibam treinar IAs, interpretar resultados, supervisionar decisões e criar experiências personalizadas”.
Na visão da Opera, o navegador do futuro não será apenas uma janela para a internet, mas um verdadeiro assistente digital. Ele lembrará das suas buscas, entenderá seus interesses e ajudará a organizar sua vida online. “Hoje, o navegador já pode recuperar as abas que você abriu ao procurar um tênis na semana passada. Em breve, poderá fazer pesquisas profundas, automatizar tarefas e até criar sites ou jogos simples”, antecipa Kolondra.
Perguntas Frequentes Sobre a Web 4.0
- O que é a Web 4.0? A Web 4.0 é uma nova era da internet onde inteligência artificial atua não apenas como ferramenta, mas como agente autônomo que pode tomar decisões e realizar tarefas em nome do usuário.
- Quais são as diferenças entre Web 4.0 e Web 3.0? A Web 3.0 trouxe a descentralização e o uso de blockchain, enquanto a Web 4.0 foca na integração da IA em interações e decisões.
- Como a Web 4.0 impactará o dia a dia das pessoas? A Web 4.0 poderá automatizar tarefas cotidianas, liberando tempo para que as pessoas se concentrem em atividades mais significativas.
- Quais desafios a Web 4.0 pode trazer? Desafios relacionados à segurança, privacidade e a responsabilidade das IAs em transações financeiras e decisões importantes.
- O que os profissionais podem esperar da Web 4.0? Novas oportunidades de emprego em áreas como treinamento de IA, análise de dados e desenvolvimento de experiências personalizadas.
- A Web 4.0 pode afetar a arte e a cultura? Sim, a IA pode transformar a forma como obras de arte são autenticadas e como a arte é criada e consumida.
- Qual o papel da segurança na Web 4.0? A segurança é um ponto vital, pois as IAs poderão gerenciar dados sensíveis e realizar transações financeiras em nome dos usuários.
- Como será o futuro dos navegadores na Web 4.0? Os navegadores se tornarão assistentes digitais, ajudando a gerenciar a vida online dos usuários de maneira mais integrada e personalizada.
Preparando-se para um Novo Futuro Digital
A Web 4.0 promete não apenas ser um avanço tecnológico, mas uma verdadeira transformação na maneira como interagimos com a tecnologia. A integração da inteligência artificial abrirá novas possibilidades e desafios para indústrias, profissões e até mesmo na nossa vida cotidiana. Estar pronto para essas mudanças é essencial para aproveitar ao máximo o que está por vir.

