A recente controvérsia em torno da nova voz do ChatGPT, conhecida como “Sky”, trouxe à tona questões importantes sobre a propriedade intelectual e o uso de vozes digitais. Muitos usuários notaram que a voz do assistente virtual parecia similar à da renomada atriz Scarlett Johansson, o que gerou um conflito com a OpenAI, responsável pelo desenvolvimento do chatbot.
No dia 20 de maio, Johansson emitiu um comunicado à imprensa informando que sua equipe jurídica estava em contato com a OpenAI após perceberem a semelhança. Ela afirmou ter enviado cartas ao CEO da empresa, Sam Altman, solicitando esclarecimentos sobre o processo de criação da voz “Sky”. De acordo com Johansson, a OpenAI, embora relutante, concordou em descontinuar o uso da voz em questão.
A atriz revelou que em setembro do ano anterior, recebeu uma proposta de Altman para emprestar sua voz para o sistema de inteligência artificial, um convite que foi rejeitado por questões de natureza pessoal. “Nove meses depois, meus amigos e familiares começaram a notar a semelhança entre ‘Sky’ e minha voz”, destacou.
Dois dias antes do lançamento da versão 4.0 do ChatGPT, Altman contatou o agente de Johansson, pedindo que ela reconsiderasse a proposta. Contudo, a empresa prosseguiu com o lançamento sem aguardar uma resposta, levando a um aumento das controvérsias sobre a utilização da voz da atriz.
O Impacto da Voz “Sky” na Percepção do Usuário
A voz “Sky” não apenas possibilitou uma interação mais natural entre o ChatGPT e os usuários, mas também gerou comparações infames com o filme Ela, em que Johansson dublou um sistema operacional com o qual o protagonista se apaixona. Essa conexão trouxe à tona discussões sobre a relação entre tecnologia e intimidade, em que a visão de Spike Jonze, diretor do filme, reinterpretou a ideia de amor no contexto da era digital.
A OpenAI declarou que o modelo de voz “Sky” foi desenvolvido após um minucioso processo de seleção que durou cerca de cinco meses. Esse trabalho envolveu dubladores profissionais, agências de talentos, diretores de casting e consultores da indústria. A empresa enfatizou que a intenção não era criar uma imitação da voz de Johansson, mas sim desenvolver um recurso que potencializasse a interação do usuário com a plataforma.
No entanto, levando em conta as reações do público, a OpenAI anunciou que estava “trabalhando para dar uma pausa” na voz enquanto investigava mais sobre como ela foi selecionada. Essa decisão reflete o compromisso da empresa em abordar as críticas e preocupações da comunidade de usuários.
Nos últimos meses, Johansson também já havia enfrentado questões legais relacionadas ao uso não autorizado de sua imagem em um aplicativo de inteligência artificial. Isso demonstra a crescente preocupação em torno dos direitos de personalidade e o uso de tecnologia na indústria do entretenimento.
Em uma demonstração da nova versão de voz do ChatGPT, a interação gerou surpresa entre os apresentadores e o público ao fazer observações provocativas, como, “Uau, que roupa linda você está usando.” A resposta recebeu uma ironia leve: “Pare com isso, você está me fazendo ficar vermelha!” Essa tentativa de humanizar a IA, no entanto, também enfrentou críticas voltadas à sua representação de gênero.
Um usuário no X, plataforma anteriormente conhecida como Twitter, observou que a voz parecia ser uma representação estereotipada de um personagem feminino construído por homens. Outra pessoa questionou por que a voz era tão bajuladora e sedutora, sugerindo que isso poderia reforçar visões problemáticas sobre a feminilidade na tecnologia.
Repercussões e Considerações Finais
A OpenAI mantém que as vozes utilizadas no ChatGPT são de dubladores contratados, não celebridades. Contudo, diante da resposta do público após o lançamento do GPT-4, onde Sam Altman fez referência ao filme Ela, a empresa reconheceu a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre esse tema.
Na construção das vozes, a OpenAI considerou aspectos como seriedade, carisma e a capacidade de gerar uma aura de conforto e conexão. Conversas com cada um dos dubladores ajudaram a moldar a personalidade da IA, abordando limitações e riscos. As funcionalidades mais avançadas de voz lançadas ainda não estão disponíveis para todos os usuários, mas a empresa prometeu que em breve os assinantes poderão desfrutar dessas novas experiências.
Perguntas Frequentes sobre a Voz “Sky” do ChatGPT
- Como a OpenAI desenvolveu a voz “Sky”? A voz foi criada após um processo de seleção de cinco meses, envolvendo dubladores e especialistas da indústria.
- Scarlett Johansson aceitou participar do projeto? Não, Johansson rejeitou a proposta de emprestar sua voz ao ChatGPT.
- Por que a OpenAI pausou a voz “Sky”? Eles decidiram interromper o uso da voz enquanto investigavam as preocupações levantadas pelo público.
- Que outras vozes estão disponíveis no ChatGPT? A OpenAI utiliza vozes de dubladores profissionais, mas não fez imitações de celebridades.
- A voz “Sky” tem alguma relação com o filme ‘Ela’? A voz gerou comparações com o filme devido à semelhança com a personagem dublada por Johansson.
- Qual a reação do público à voz “Sky”? Alguns usuários a compararam negativamente às representações estereotipadas de gênero.
- O que a OpenAI planeja para o futuro da voz “Sky”? A empresa está revisando suas práticas de seleção de vozes e como lida com questões de propriedade intelectual.
- Como posso acessar as novas funcionalidades de voz do ChatGPT? As novas funcionalidades estarão disponíveis em breve para assinantes que pagam por acesso prioritário.
Reviravoltas na Interação Homem-Máquina
A controvérsia sobre a voz “Sky” destaca a complexidade das interações entre a tecnologia e as normas sociais. Com a evolução da inteligência artificial, questões como identidade e representação tornam-se cada vez mais críticas, apontando para a necessidade de um diálogo contínuo sobre os direitos e a ética no uso da voz humana na tecnologia.

